Sociologia.
Prof. Rogério/Resumo
Augusto
Comte e o PSITIVISMO (1798 – 1857)
Nasceu na França exatamente
no momento em que grandes transformações estavam em andamento. A revolução
francesa chegava ao seu final. Teve formação escolar mais voltada para as
Ciências Exatas. Depois de conhecer o pensando Saint-Simon, Comte começou a se
interessas pelo estudo da sociedade.
Está presente em sua obra a
tentativa de reorganização da sociedade francesa após anos turbulentos de
revolução. Pode-se dizer que Comte se dedicou intensamente a criar uma maneira
de organizar a sociedade a partir dos princípios da Ciência. Dono de um pensamento profundamente ligado ao
mundo da razão (iluminismo), ele dedicou a sua vida à tentativa de encontrar
uma maneira de reduzir as relações sociais e a organização das sociedades às
leis similares as das ciências exatas, podendo assim se fazer manipulações,
previsões e tomar decisões no sentido de conduzir a sociedade ao caminho da
unidade.
Augusto Comte é considerado pela
grande maioria dos sociólogos e historiadores como o “pai” da sociologia. Seu grande
feito foi ter sistematizado, colecionado e agrupado as ideias anteriores a ele
e que se enveredavam pelo estudo científico da sociedade, atribuindo a elas um
único sentido, qual seja, estudar a sociedade industrial de classes e tecer
explicações das causas de sua existência, propondo, ao mesmo tempo, soluções
capazes de conter os problemas reais vividos pela sociedade.
A física social como foi chamada a Sociologia no início, deveria
conhecer cientificamente as leis gerais da vida social. Desta maneira,
valendo-se dos instrumentos científicos, ela deveria captar as leis sociais
para poder prever racionalmente seus fenômenos e agir eficientemente,
combinando estabilidade e atividade às necessidades simultâneas da ordem e do
progresso da sociedade moderna. Nas
palavras de Comte: “ciência, daí
previdência, previdência daí ação”. (Apud QUINTEIRO, 2002, p. 19)
Para
o positivismo as pessoas deviam aceitar a ordem social existente, não devendo
contestá-la. A sociologia tinha o papel de definir o que a sociedade é e não o que ela deveria ser, ou como deveria acabar com
as desigualdades sociais, como a dominação e exploração que um homem ou classe
opera sobre outra.
Para Comte a sociedade passava por
uma crise intelectual e moral. A paz social, isto é, consenso e harmonia só
seriam restabelecidas na medida em que houvesse uma reforma intelectual humana,
capaz de explicar o mundo social e orientar o comportamento para as pessoas
dessa nova sociedade.
A Filosofia Positivista
Para
Comte a Ciência deve ser a grande referência na compreensão do mundo e na organização
da sociedade. Para o Positivismo, a
ciência é um conhecimento neutro, acima de debates, filosóficos, ideológicos e
religiosos. É objetivo, ou seja,
capaz de chegar a resultados precisos e que possam ser medidos e comparados e não
baseados em interpretações. É desta forma, um conhecimento capaz de descobrir
as leis que regem a natureza e os homens, o mundo e a sociedade.
Para
Comte, as ciências possuíam diversos graus de complexidade. Há aquelas que são
mais gerais, como a matemática, e servem de base para todas as outras. E há
aquelas mais complexas, como a sociologia, que se utiliza de todas as outras
para explicar a realidade. Para Comte, a sociologia seria a “ciência natural da
sociedade”
Ser
positivista, é acreditar ser a ciência o único caminho para o bom funcionamento
da sociedade e da vida humana, única fonte de verdades e o único conhecimento
humano confiável.
A lei dos 3 Estados
Justamente
para criar essa sociedade cientificamente organizada era preciso descobrir as
leis que a regem. Comte em seu trabalho descreve uma lei que rege o
desenvolvimento dos povos humanos. Segundo ele, a humanidade passou e passa
necessariamente por três estágios.
1º Estágio chamado de Teológico: período em que os homens buscavam explicar os
fenômenos da natureza e da vida humana em elementos sobrenaturais. Utilizado
pelos mitos e pela religião.
2º Estágio chamado de metafísico: os homens continuam valendo-se dos deuses, mas
agora além das explicações sobrenaturais, buscam também explicações lógicas,
matemáticas (surgimento da filosofia grega e do renascimento italiano)
3º Estágio chamado de Positivo: abandona-se completamente as crendices e o
sobrenatural, a humanidade passaria a ser governada pela ciência. Período de
maturidade do conhecimento humano. As explicações seriam todas encontradas na
ciência.
A estática e a dinâmica social – ordem e
progresso
Dentro
da realidade social existiriam duas forças, a força estática e a dinâmica. A
força estática também poderíamos chamar de Ordem
e a força dinâmica de progresso. Para
Comte a sociedade saudável é aquela que consegue conciliar essas duas forças.
Dentro
de uma sociedade existem grupos de pessoas, conjunto de ideias, normas,
costumes que forçam a sociedade a evoluir, a progredir. Assim também existem
grupos de pessoas, de ideias, de costumes que fazem o contrário, que impedem as
mudanças de acontecer ou as tornam mais lentas. Assim, as indústrias, as artes,
as ciências contribuem para fazer a sociedade mudar (força Dinâmica –
progresso), já a escola, a igreja, o estado e a família seriam responsáveis
pela conservação. Para Comte, a tensão entre esses dois blocos, mantem a
sociedade em equilíbrio.
O papel político da ciência
Para
o positivismo a sociologia tem uma função social. Ao descobrir as leis gerais
que regem o comportamento da sociedade, a sociologia deve tornar a vida em
sociedade mais harmônica. O positivismo é um projeto de transformação da
sociedade, mas não através de lutas armadas e guerras. Os Estados aliados à
ciência lentamente deveriam fazer com que todos obedecessem aos princípios
científicos. O governo ideal para Comte seria um governo da ciência e dos
cientistas. Um governo da técnica, da competência e não das tradições ou dos
partidos políticos. Este princípio está associado a duas ideias que se pode
encontrar no cenário político dos dias atuais; a meritocracia e a tecnocracia.
Meritocracia é o princípio de que cargos de um governo ou de uma empresa deve
ser ocupado pela pessoa de maior capacidade técnica, por um especialista.
O que é a sociologia? O surgimento da sociologia
A
Sociologia continua sendo o “estudo da
vida social humana, dos grupos e das sociedades” (GIDDENS, 2005, p. 24). A
sociologia nos dá oportunidade de um olhar mais amplo sobre o nosso dia a dia,
ultrapassando os olhares particulares e nos ensina por que “somos como somos e
por que agimos como agirmos” (idem, p. 24)
Os
seres humanos são seres sociais, pois ao viverem em sociedade estabelecem
relações sociais. Essas relações não são fixas e imutáveis, e se constituem a
base da sociedade. Desta forma, a sociedade passa a ser o objeto de estudo
dessa ciência.
É
uma ciência empírica, classificada
no conjunto das ciências sociais (Sociologia, antropologia e
ciência política), que integram o campo do conhecimento das humanidades. Mas o que é ciência? É todo
conhecimento humano formulado a partir de um conjunto de proposições e
enunciados, correlacionados e construídos com métodos sobre um determinado objeto,
passível de verificação. (LAKATOS, 1978, p. 3)
Comparada
com as outras ciências, a sociologia é uma ciência tardia, pois veio depois de
outras ciências sociais, como a ciência política por exemplo. Ela não pode ser
considerada um conhecimento baseado no senso
comum, pois esta forma de
conhecimento possui respostas simples, não possuindo métodos sistemáticos,
baseadas na experiência (empírico) sem explicações técnicas e científicas.
A
sociologia se caracteriza pela diversidade de abordagens desde seus fundadores,
a partir do século XVIII, quando iniciou o estudo objetivo e sistemático dos
comportamentos humanos. Aquela época foi marcada pela revolução francesa, a
industrial e a científica. A francesa
for marcada pela prevalência das ideias de liberdade, de igualdade e
fraternidade que transformaram nos grandes ideais humanitários da modernidade. Ela
simboliza a trajetória da substituição dos regimes aristocráticos, monárquicos
e autocráticos pelos democráticos. A Industrial
foi marcada pela transformação do sistema produtivo, da qual resultaram
significativas transformações econômicas, políticas e sociais, sob a égide das
inovações tecnológicas e do capitalismo, bem como a reorganização dos espaços
urbanos e rurais, ocorrendo grandes fluxos migratórios do campo para a cidade.
A científica lança os fundamentos da
radical mudança da leitura que fazia da vida e da natureza, passando a
prevalecer o conhecimento obtido através da lógica, de métodos de investigação
e da razão humana em substituição dos dogmas religiosos.
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