domingo, 12 de março de 2017

Sociologia. Prof. Rogério/Resumo
Augusto Comte e o PSITIVISMO (1798 – 1857)
Nasceu na França exatamente no momento em que grandes transformações estavam em andamento. A revolução francesa chegava ao seu final. Teve formação escolar mais voltada para as Ciências Exatas. Depois de conhecer o pensando Saint-Simon, Comte começou a se interessas pelo estudo da sociedade.
            Está presente em sua obra a tentativa de reorganização da sociedade francesa após anos turbulentos de revolução. Pode-se dizer que Comte se dedicou intensamente a criar uma maneira de organizar a sociedade a partir dos princípios da Ciência. Dono de um pensamento profundamente ligado ao mundo da razão (iluminismo), ele dedicou a sua vida à tentativa de encontrar uma maneira de reduzir as relações sociais e a organização das sociedades às leis similares as das ciências exatas, podendo assim se fazer manipulações, previsões e tomar decisões no sentido de conduzir a sociedade ao caminho da unidade.
            Augusto Comte é considerado pela grande maioria dos sociólogos e historiadores como o “pai” da sociologia. Seu grande feito foi ter sistematizado, colecionado e agrupado as ideias anteriores a ele e que se enveredavam pelo estudo científico da sociedade, atribuindo a elas um único sentido, qual seja, estudar a sociedade industrial de classes e tecer explicações das causas de sua existência, propondo, ao mesmo tempo, soluções capazes de conter os problemas reais vividos pela sociedade.
A física social como foi chamada a Sociologia no início, deveria conhecer cientificamente as leis gerais da vida social. Desta maneira, valendo-se dos instrumentos científicos, ela deveria captar as leis sociais para poder prever racionalmente seus fenômenos e agir eficientemente, combinando estabilidade e atividade às necessidades simultâneas da ordem e do progresso da sociedade moderna.  Nas palavras de Comte: “ciência, daí previdência, previdência daí ação”. (Apud QUINTEIRO, 2002, p. 19)
Para o positivismo as pessoas deviam aceitar a ordem social existente, não devendo contestá-la. A sociologia tinha o papel de definir o que a sociedade é e não o que ela deveria ser, ou como deveria acabar com as desigualdades sociais, como a dominação e exploração que um homem ou classe opera sobre outra.
            Para Comte a sociedade passava por uma crise intelectual e moral. A paz social, isto é, consenso e harmonia só seriam restabelecidas na medida em que houvesse uma reforma intelectual humana, capaz de explicar o mundo social e orientar o comportamento para as pessoas dessa nova sociedade.
A Filosofia Positivista
Para Comte a Ciência deve ser a grande referência na compreensão do mundo e na organização da sociedade.  Para o Positivismo, a ciência é um conhecimento neutro, acima de debates, filosóficos, ideológicos e religiosos. É objetivo, ou seja, capaz de chegar a resultados precisos e que possam ser medidos e comparados e não baseados em interpretações. É desta forma, um conhecimento capaz de descobrir as leis que regem a natureza e os homens, o mundo e a sociedade.
Para Comte, as ciências possuíam diversos graus de complexidade. Há aquelas que são mais gerais, como a matemática, e servem de base para todas as outras. E há aquelas mais complexas, como a sociologia, que se utiliza de todas as outras para explicar a realidade. Para Comte, a sociologia seria a “ciência natural da sociedade”
Ser positivista, é acreditar ser a ciência o único caminho para o bom funcionamento da sociedade e da vida humana, única fonte de verdades e o único conhecimento humano confiável.
A lei dos 3 Estados
Justamente para criar essa sociedade cientificamente organizada era preciso descobrir as leis que a regem. Comte em seu trabalho descreve uma lei que rege o desenvolvimento dos povos humanos. Segundo ele, a humanidade passou e passa necessariamente por três estágios.
1º Estágio chamado de Teológico: período em que os homens buscavam explicar os fenômenos da natureza e da vida humana em elementos sobrenaturais. Utilizado pelos mitos e pela religião.
2º Estágio chamado de metafísico: os homens continuam valendo-se dos deuses, mas agora além das explicações sobrenaturais, buscam também explicações lógicas, matemáticas (surgimento da filosofia grega e do renascimento italiano)
3º Estágio chamado de Positivo: abandona-se completamente as crendices e o sobrenatural, a humanidade passaria a ser governada pela ciência. Período de maturidade do conhecimento humano. As explicações seriam todas encontradas na ciência.
A estática e a dinâmica social – ordem e progresso
Dentro da realidade social existiriam duas forças, a força estática e a dinâmica. A força estática também poderíamos chamar de Ordem e a força dinâmica de progresso. Para Comte a sociedade saudável é aquela que consegue conciliar essas duas forças.
Dentro de uma sociedade existem grupos de pessoas, conjunto de ideias, normas, costumes que forçam a sociedade a evoluir, a progredir. Assim também existem grupos de pessoas, de ideias, de costumes que fazem o contrário, que impedem as mudanças de acontecer ou as tornam mais lentas. Assim, as indústrias, as artes, as ciências contribuem para fazer a sociedade mudar (força Dinâmica – progresso), já a escola, a igreja, o estado e a família seriam responsáveis pela conservação. Para Comte, a tensão entre esses dois blocos, mantem a sociedade em equilíbrio.

O papel político da ciência
Para o positivismo a sociologia tem uma função social. Ao descobrir as leis gerais que regem o comportamento da sociedade, a sociologia deve tornar a vida em sociedade mais harmônica. O positivismo é um projeto de transformação da sociedade, mas não através de lutas armadas e guerras. Os Estados aliados à ciência lentamente deveriam fazer com que todos obedecessem aos princípios científicos. O governo ideal para Comte seria um governo da ciência e dos cientistas. Um governo da técnica, da competência e não das tradições ou dos partidos políticos. Este princípio está associado a duas ideias que se pode encontrar no cenário político dos dias atuais; a meritocracia e a tecnocracia. Meritocracia é o princípio de que cargos de um governo ou de uma empresa deve ser ocupado pela pessoa de maior capacidade técnica, por um especialista.
O que é a sociologia? O surgimento da sociologia
A Sociologia continua sendo o “estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades” (GIDDENS, 2005, p. 24). A sociologia nos dá oportunidade de um olhar mais amplo sobre o nosso dia a dia, ultrapassando os olhares particulares e nos ensina por que “somos como somos e por que agimos como agirmos” (idem, p. 24)
Os seres humanos são seres sociais, pois ao viverem em sociedade estabelecem relações sociais. Essas relações não são fixas e imutáveis, e se constituem a base da sociedade. Desta forma, a sociedade passa a ser o objeto de estudo dessa ciência.
É uma ciência empírica, classificada no conjunto das ciências sociais (Sociologia, antropologia e ciência política), que integram o campo do conhecimento das humanidades. Mas o que é ciência? É todo conhecimento humano formulado a partir de um conjunto de proposições e enunciados, correlacionados e construídos com métodos sobre um determinado objeto, passível de verificação. (LAKATOS, 1978, p. 3)  
Comparada com as outras ciências, a sociologia é uma ciência tardia, pois veio depois de outras ciências sociais, como a ciência política por exemplo. Ela não pode ser considerada um conhecimento baseado no senso comum, pois esta forma de conhecimento possui respostas simples, não possuindo métodos sistemáticos, baseadas na experiência (empírico) sem explicações técnicas e científicas.
A sociologia se caracteriza pela diversidade de abordagens desde seus fundadores, a partir do século XVIII, quando iniciou o estudo objetivo e sistemático dos comportamentos humanos. Aquela época foi marcada pela revolução francesa, a industrial e a científica. A francesa for marcada pela prevalência das ideias de liberdade, de igualdade e fraternidade que transformaram nos grandes ideais humanitários da modernidade. Ela simboliza a trajetória da substituição dos regimes aristocráticos, monárquicos e autocráticos pelos democráticos. A Industrial foi marcada pela transformação do sistema produtivo, da qual resultaram significativas transformações econômicas, políticas e sociais, sob a égide das inovações tecnológicas e do capitalismo, bem como a reorganização dos espaços urbanos e rurais, ocorrendo grandes fluxos migratórios do campo para a cidade. A científica lança os fundamentos da radical mudança da leitura que fazia da vida e da natureza, passando a prevalecer o conhecimento obtido através da lógica, de métodos de investigação e da razão humana em substituição dos dogmas religiosos.  



            

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