domingo, 19 de março de 2017

ENTENDENDO OS FATOS SOCIAIS - EMILE DURKHEIM

O  FATO SOCIAL

É Fato social “toda maneira de agir, de pensar e de sentir que são exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção”.
            Os fatos sociais são maneiras coletivas de agir ou de pensar que podem ser reconhecidas pelo fato de exercerem influência sobre as consciências dos indivíduos. Ou seja, os fatos sociais, têm influência própria e são capazes de obrigar (influência coletiva) as pessoas a se comportar desta ou daquela maneira.
Nem sempre essa coerção pode ser percebida como tal. Em muitos casos, simplesmente nos comportamos como achamos que devemos nos comportar. Entretanto, por detrás dessa aparente liberdade, existem hábitos, costumes coletivos, ou mesmo regras, que nós aceitamos como válidas e nos induzem a assumir certas atitudes.
Um exemplo simples é se um aluno chegasse vestido à escola com roupa de praia, certamente ficaria numa situação desconfortável: os colegas ririam dele, levaria uma bronca do diretor e seria mandando de volta para casa para colocar uma roupa adequada. Existe o modo de vestir que é comum, que todos seguem (neste caso, os alunos da escola). Isso não é estabelecido pelo indivíduo. Quando ele entrou no grupo já existia tal norma. Desta forma se entende que o modo de vestir  é um fato social, assim como a língua, o sistema monetário, a religião, as leis e uma infinidade de outros fenômenos do mesmo tipo.
As características de um fato social são: generalidade: o fato social é comum a todos os membros de um grupo ou à sua grande maioria. Exterioridade: o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade. Coercitividade: os indivíduos se sentem pressionados a seguir o comportamento estabelecido.
Desta forma, a sociologia é o estudo dos fatos sociais.
FATOS SOCIAIS NORMAIS E PATOLÓGICO
Para Durkheim existem fatos sociais normais e patológicos. Durkheim (1983) considera que os fenômenos sociológicos (e também biológico) podem ser classificados em dois tipos básicos: aqueles que são comuns a toda espécie e “[…] encontram-se senão em todos os indivíduos, pelo menos na maior parte deles e apresentam variações de um sujeito para outro compreendidas entre limites muito próximos” (p. 114) e os fenômenos excepcionais, que, “[…] além de surgirem em minorias, muitas vezes chegam a durar a vida inteira dos indivíduos ” (p.114).
Durkheim (1983, p. 118) afirma que a classificação do fenômeno em normal ou patológico está relacionada à sua frequência na sociedade. Lembrando que a respeito do fato, não há um regra universal para distinguir que é normal e o que é patológico, o que deve ser pensado em relação ao tipo de sociedade em que o fenômeno ocorre, assim como a fase do desenvolvimento histórico desta. Assim, o que é patológico em uma sociedade pode não ser em outra; o que foi anteriormente normal em uma sociedade pode se tornar hoje ou amanhã patológico.
Os comportamentos padronizados humanos podem estar de acordo com aquilo que o conjunto das pessoas considera “adequado”, dentro da normal, correto, desejável, ou pode ser fora das normas, indesejável. Matar uma pessoa é algo proibido, uma norma da sociedade. A maioria das pessoas não matam umas às outras, cumprem assim a regra de não matar, elas se enquadram dentro do que podemos chamar de fato social normal. Mas existem muitos assassinos em nossa sociedade, diariamente pessoas são mortas por motivos muito semelhantes, como tráfico de drogas, violência doméstica, assaltos. Neste caso, infelizmente os assassinatos se transformaram em um fato recorrente, padronizado, são também, fatos sociais, mas esses são patológicos, ou seja fogem a norma. Se uma pessoa descumpre um padrão, mas esse acontecimento é casual ou excepcional isso ainda não se constitui como um fato social patológico, só o será se o descumprimento do padrão for coletivo, repetido por muitos e assim se tornar um padrão recorrente. Neste caso, o descumprimento se transforma em um fato social patológico. Mas e se de tanto descumprirmos os padrões, os próprios padrões passarem a desaparecer e já não soubermos o que é certo ou errado? Neste caso estaríamos diante do que Durkheim chamava de Anomia. Ou seja, a anomia não é o comportamento que desvia individualmente da norma, nem a existência dos padrões concorrentes, mas sim a ausência de referências, de padrões sociais. Neste ponto, se pode perceber o papel do da coerção social para a saúde da sociedade. Segundo Durkheim, a punição (coerção) diante do descumprimento de uma norma serve para a manutenção, para a preservação dos padrões e assim impedem o desenvolvimento de um quadro social anômico. A punição de um crime, por exemplo, não é um ato de punição individual, mas é a necessária luta para a manutenção das normas sociais. 

assista o vídeo abaixo para melhor entender. 

https://www.youtube.com/watch?v=f-rYZI3zR8I

domingo, 12 de março de 2017


Exercícios positivismo e surgimento da sociologia
1. Para Augusto Comte, uma das funções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis sociais que conduzissem o progresso da humanidade. Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo autor, é correto afirmar:
a)   O estágio teológico nega a existência de apenas uma explicação divina para os fenômenos naturais e sociais.
b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, porque se sustenta nos métodos científicos.
c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teológico e pelo científico, que é o mais elaborado.
d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, em que conceitos abstratos explicam o mundo.
e) A Europa exemplificava uma sociedade em estado de desenvolvimento teológico.
2. Segundo a Lei dos Três Estados, conceito fundamental na obra de Auguste Comte, a evolução das concepções intelectuais da humanidade percorreu três estados teóricos distintos e consecutivos, a saber:
a) Mitológico, teológico e filosófico.
b) Teológico, metafísico e científico.
c) Metafísico, abstrato e positivo.
d) Fetichista, teológico e positivo.
e) Mitológico, filosófico e científico.
3. Auguste Comte identificou os movimentos vitais da sociedade como dinâmicos e estáticos. Em relação a esses movimentos, é correto afirmar que o movimento dinâmico:
a) se refere à velocidade na produção industrial da Europa do século XIX.
b) representa mudanças nos modos de vida em sociedade para formas mais complexas.
c) preserva a base de todas as instituições sociais totalizantes.
d) proporciona a coesão das instituições e a competição entre os indivíduos.
e) incentiva a manutenção da ordem, valendo-se de modos tradicionais de viver em sociedade.
4. Auguste Comte identificou os movimentos vitais da sociedade como dinâmicos e estáticos. Em relação a esses movimentos, é correto afirmar que o movimento dinâmico:
a) se refere à velocidade na produção industrial da Europa do século XIX.
b) representa mudanças nos modos de vida em sociedade para formas mais complexas.
c) preserva a base de todas as instituições sociais totalizantes.
d) proporciona a coesão das instituições e a competição entre os indivíduos.
e) incentiva a manutenção da ordem, valendo-se de modos tradicionais de viver em sociedade.
5. O lema “Prever para Prover” é inspirado no pensamento social do pensador da sociologia
a) Auguste Comte.        b) Max Weber.
c) Karl Marx.                 d) Rui Barbosa.
e) Joaquim Nabuco
6. A sociologia nasce no séc. XIX após as revoluções burguesas sob o signo do positivismo elaborado por Augusto Comte. As características do pensamento comtiano são:
a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natureza é regida por leis naturais; as ciências humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências naturais e a ciência deve ser neutra.
b) a sociedade humana atravessa três estágios sucessivos de evolução: o metafísico, o empírico e o teológico, no qual predomina a religião positivista.
c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrário das ciências naturais, não pode ser neutra porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente.
d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o que necessariamente levaria a uma sociedade comunista.
7. Sobre o positivismo, corrente teórica pioneira na sistematização do pensamento sociológico, assinale o que for correto.
01) Apesar de reconhecer as diferenças entre fenômenos do mundo físico e do mundo social, o positivismo busca no método das ciências da natureza a orientação básica para legitimar a sociologia.
02) O positivismo enfatiza a coesão e a harmonia entre os indivíduos como solução de conflitos, para alcançar o progresso social.
04) O positivismo endereça uma contundente crítica à sociedade europeia do século XIX, sobretudo em razão das desigualdades sociais oriundas da consolidação do capitalismo.
08) O positivismo utiliza recorrentemente a metáfora organicista para se referir à sociedade como um todo constituído de partes integradas e coesas, funcionando harmonicamente, segundo uma lógica física ou mecânica.
16) O positivismo defende uma concepção evolucionista da história social, segundo a qual o estágio mais avançado seria dominado pela razão técnicocientífica.
SOMA: ______
8. A filosofia da História – o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo próprio Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha o objetivo de mostrar por que o pensamento positivista deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei do Três Estados” formulada por Comte, é correto afirmar que:
a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito humano desenvolvem-se na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da história: a positiva, a teológica e a metafísica.
b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempenha um papel de primeiro plano no estado teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma etapa posterior ao estado positivo.
c) o estado teológico, segundo está formulada na “Lei dos Três Estados”, não tem o poder de tornar a sociedade mais coesa e nenhum papel na fundamentação da vida moral.
d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três Estados” como o momento em que a observação prevalece sobre a imaginação e a argumentação, e na busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis.
e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois somente o estado metafísico procura soluções absolutas e universais para os problemas do homem.
9. O autor considerado “pai” da sociologia, Augusto Comte, acreditava que a nova ciência das sociedades deveria igualar-se às demais ciências da natureza que se pautavam pelos fenômenos observáveis e mensuráveis para que assim fosse possível apreender as regras gerais que regem o mundo social do indivíduo. Essa perspectiva ideológica é chamada de:
a) Iluminismo.               b) Darwinismo.
c) Dadaísmo.                 d) Positivismo.

10. A sociologia surgiu para suprir a necessidade de se entender os fenômenos sociais e as regras fundamentais pelas quais se baseiam nossas relações. Entretanto, a sociologia contemporânea difere-se da ideia original, na medida em que:
a) entende-se que as sociedades são como organismos vivos, com leis de funcionamento estabelecidas e imutáveis.
b) é amplamente aceito que as diferenças raciais determinam características do convívio do sujeito, uma vez que é a raça que estabelece o comportamento social.
c) entende-se que as sociedades e as relações sociais possuem infinitas variações, não sendo possível traçar leis gerais que justifiquem ou expliquem, em termos absolutos, todas as formas de interação humana no mundo social.
d) deixou de ser uma área do conhecimento válida, uma vez que não é possível estudar uma sociedade em razão da enorme quantidade de diferenças entre os sujeitos que a compõem

11. (UEM - 2011) - Sobre a relação entre a revolução industrial e o surgimento da sociologia como ciência, assinale o que for correto.
a) A consolidação do modelo econômico baseado na indústria conduziu a uma grande concentração da população no ambiente urbano, o qual acabou se constituindo em laboratório para o trabalho de intelectuais interessados no estudo dos problemas que essa nova realidade social gerava. 
b) A migração de grandes contingentes populacionais do campo para as cidades gerou uma série de problemas modernos, que passaram a demandar investigações visando à sua resolução ou minimização. 
c) Os primeiros intelectuais interessados no estudo dos fenômenos provocados pela revolução industrial compartilhavam uma perspectiva positiva sobre os efeitos do desenvolvimento econômico baseado no modelo capitalista. 
d) Os conflitos entre capital e trabalho, potencializados pela concentração dos operários nas fábricas, foram tema de pesquisa dos precursores da sociologia e continuam inspirando debates científicos relevantes na atualidade.   
e) A necessidade de controle da força de trabalho fez com que as fábricas e indústrias do século XIX inserissem sociólogos em seus quadros profissionais, para atuarem no desenvolvimento de modelos de gestão mais eficientes e produtivos.
Sociologia. Prof. Rogério/Resumo
Augusto Comte e o PSITIVISMO (1798 – 1857)
Nasceu na França exatamente no momento em que grandes transformações estavam em andamento. A revolução francesa chegava ao seu final. Teve formação escolar mais voltada para as Ciências Exatas. Depois de conhecer o pensando Saint-Simon, Comte começou a se interessas pelo estudo da sociedade.
            Está presente em sua obra a tentativa de reorganização da sociedade francesa após anos turbulentos de revolução. Pode-se dizer que Comte se dedicou intensamente a criar uma maneira de organizar a sociedade a partir dos princípios da Ciência. Dono de um pensamento profundamente ligado ao mundo da razão (iluminismo), ele dedicou a sua vida à tentativa de encontrar uma maneira de reduzir as relações sociais e a organização das sociedades às leis similares as das ciências exatas, podendo assim se fazer manipulações, previsões e tomar decisões no sentido de conduzir a sociedade ao caminho da unidade.
            Augusto Comte é considerado pela grande maioria dos sociólogos e historiadores como o “pai” da sociologia. Seu grande feito foi ter sistematizado, colecionado e agrupado as ideias anteriores a ele e que se enveredavam pelo estudo científico da sociedade, atribuindo a elas um único sentido, qual seja, estudar a sociedade industrial de classes e tecer explicações das causas de sua existência, propondo, ao mesmo tempo, soluções capazes de conter os problemas reais vividos pela sociedade.
A física social como foi chamada a Sociologia no início, deveria conhecer cientificamente as leis gerais da vida social. Desta maneira, valendo-se dos instrumentos científicos, ela deveria captar as leis sociais para poder prever racionalmente seus fenômenos e agir eficientemente, combinando estabilidade e atividade às necessidades simultâneas da ordem e do progresso da sociedade moderna.  Nas palavras de Comte: “ciência, daí previdência, previdência daí ação”. (Apud QUINTEIRO, 2002, p. 19)
Para o positivismo as pessoas deviam aceitar a ordem social existente, não devendo contestá-la. A sociologia tinha o papel de definir o que a sociedade é e não o que ela deveria ser, ou como deveria acabar com as desigualdades sociais, como a dominação e exploração que um homem ou classe opera sobre outra.
            Para Comte a sociedade passava por uma crise intelectual e moral. A paz social, isto é, consenso e harmonia só seriam restabelecidas na medida em que houvesse uma reforma intelectual humana, capaz de explicar o mundo social e orientar o comportamento para as pessoas dessa nova sociedade.
A Filosofia Positivista
Para Comte a Ciência deve ser a grande referência na compreensão do mundo e na organização da sociedade.  Para o Positivismo, a ciência é um conhecimento neutro, acima de debates, filosóficos, ideológicos e religiosos. É objetivo, ou seja, capaz de chegar a resultados precisos e que possam ser medidos e comparados e não baseados em interpretações. É desta forma, um conhecimento capaz de descobrir as leis que regem a natureza e os homens, o mundo e a sociedade.
Para Comte, as ciências possuíam diversos graus de complexidade. Há aquelas que são mais gerais, como a matemática, e servem de base para todas as outras. E há aquelas mais complexas, como a sociologia, que se utiliza de todas as outras para explicar a realidade. Para Comte, a sociologia seria a “ciência natural da sociedade”
Ser positivista, é acreditar ser a ciência o único caminho para o bom funcionamento da sociedade e da vida humana, única fonte de verdades e o único conhecimento humano confiável.
A lei dos 3 Estados
Justamente para criar essa sociedade cientificamente organizada era preciso descobrir as leis que a regem. Comte em seu trabalho descreve uma lei que rege o desenvolvimento dos povos humanos. Segundo ele, a humanidade passou e passa necessariamente por três estágios.
1º Estágio chamado de Teológico: período em que os homens buscavam explicar os fenômenos da natureza e da vida humana em elementos sobrenaturais. Utilizado pelos mitos e pela religião.
2º Estágio chamado de metafísico: os homens continuam valendo-se dos deuses, mas agora além das explicações sobrenaturais, buscam também explicações lógicas, matemáticas (surgimento da filosofia grega e do renascimento italiano)
3º Estágio chamado de Positivo: abandona-se completamente as crendices e o sobrenatural, a humanidade passaria a ser governada pela ciência. Período de maturidade do conhecimento humano. As explicações seriam todas encontradas na ciência.
A estática e a dinâmica social – ordem e progresso
Dentro da realidade social existiriam duas forças, a força estática e a dinâmica. A força estática também poderíamos chamar de Ordem e a força dinâmica de progresso. Para Comte a sociedade saudável é aquela que consegue conciliar essas duas forças.
Dentro de uma sociedade existem grupos de pessoas, conjunto de ideias, normas, costumes que forçam a sociedade a evoluir, a progredir. Assim também existem grupos de pessoas, de ideias, de costumes que fazem o contrário, que impedem as mudanças de acontecer ou as tornam mais lentas. Assim, as indústrias, as artes, as ciências contribuem para fazer a sociedade mudar (força Dinâmica – progresso), já a escola, a igreja, o estado e a família seriam responsáveis pela conservação. Para Comte, a tensão entre esses dois blocos, mantem a sociedade em equilíbrio.

O papel político da ciência
Para o positivismo a sociologia tem uma função social. Ao descobrir as leis gerais que regem o comportamento da sociedade, a sociologia deve tornar a vida em sociedade mais harmônica. O positivismo é um projeto de transformação da sociedade, mas não através de lutas armadas e guerras. Os Estados aliados à ciência lentamente deveriam fazer com que todos obedecessem aos princípios científicos. O governo ideal para Comte seria um governo da ciência e dos cientistas. Um governo da técnica, da competência e não das tradições ou dos partidos políticos. Este princípio está associado a duas ideias que se pode encontrar no cenário político dos dias atuais; a meritocracia e a tecnocracia. Meritocracia é o princípio de que cargos de um governo ou de uma empresa deve ser ocupado pela pessoa de maior capacidade técnica, por um especialista.
O que é a sociologia? O surgimento da sociologia
A Sociologia continua sendo o “estudo da vida social humana, dos grupos e das sociedades” (GIDDENS, 2005, p. 24). A sociologia nos dá oportunidade de um olhar mais amplo sobre o nosso dia a dia, ultrapassando os olhares particulares e nos ensina por que “somos como somos e por que agimos como agirmos” (idem, p. 24)
Os seres humanos são seres sociais, pois ao viverem em sociedade estabelecem relações sociais. Essas relações não são fixas e imutáveis, e se constituem a base da sociedade. Desta forma, a sociedade passa a ser o objeto de estudo dessa ciência.
É uma ciência empírica, classificada no conjunto das ciências sociais (Sociologia, antropologia e ciência política), que integram o campo do conhecimento das humanidades. Mas o que é ciência? É todo conhecimento humano formulado a partir de um conjunto de proposições e enunciados, correlacionados e construídos com métodos sobre um determinado objeto, passível de verificação. (LAKATOS, 1978, p. 3)  
Comparada com as outras ciências, a sociologia é uma ciência tardia, pois veio depois de outras ciências sociais, como a ciência política por exemplo. Ela não pode ser considerada um conhecimento baseado no senso comum, pois esta forma de conhecimento possui respostas simples, não possuindo métodos sistemáticos, baseadas na experiência (empírico) sem explicações técnicas e científicas.
A sociologia se caracteriza pela diversidade de abordagens desde seus fundadores, a partir do século XVIII, quando iniciou o estudo objetivo e sistemático dos comportamentos humanos. Aquela época foi marcada pela revolução francesa, a industrial e a científica. A francesa for marcada pela prevalência das ideias de liberdade, de igualdade e fraternidade que transformaram nos grandes ideais humanitários da modernidade. Ela simboliza a trajetória da substituição dos regimes aristocráticos, monárquicos e autocráticos pelos democráticos. A Industrial foi marcada pela transformação do sistema produtivo, da qual resultaram significativas transformações econômicas, políticas e sociais, sob a égide das inovações tecnológicas e do capitalismo, bem como a reorganização dos espaços urbanos e rurais, ocorrendo grandes fluxos migratórios do campo para a cidade. A científica lança os fundamentos da radical mudança da leitura que fazia da vida e da natureza, passando a prevalecer o conhecimento obtido através da lógica, de métodos de investigação e da razão humana em substituição dos dogmas religiosos.  



            

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ciências Sociais
O comportamento humano é muito diversificado, cada individuo recebe influencias de seu meio, forma-se e determinada maneira e age no meio social de acordo com sua formação. O individuo aprende com o meio, mas também pode transforma-lo em sua ação social. Trabalhar, receber salário, fazer greve, participar de eventos, casar-se, educar filhos são comportamentos sociais, pois se desenvolvem no contexto da sociedade.
            Ao longa da sociedade a espécie humana organizou sua vida em grupo. As Ciências sociais (a sociologia é um de seus ramos) pesquisam e estudam o comportamento social humano e suas várias formas de organização. O objetivo das ciências sociais é, portanto, o ser humano e suas relações sociais, pois é o estudo sistemático do comportamento social humano. Sempre buscando ampliar este conhecimento. Assim a ciências sociais contribui para uma melhor compreensão da sociedade.

A divisão das ciências sociais
Com o avanço do conhecimento, tornou-se necessária uma divisão  das ciências sociais em diversas disciplinas, para facilitar a sistematização dos estudos e das pesquisas. Seria assim:

Sociologia – A sociologia estuda as relações sociais e formas de associação , considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade. A socióloga, abrange, portanto, o estudo dos grupo sociais, dos fatos sociais, da divisão da sociedade em camadas, da mobilidade da social, dos processos de cooperação, competição e conflito na sociedade etc.

Economia – Estuda as atividades humanas ligadas a produção, circulação distribuição e consumo de bens e serviços. A distribuição de renda num país.

Antropologia -  estuda e pesquisa as semelhanças e as diferenças culturais entre os vários agrupamentos humanos, Ocupa-se da diversidade cultural existente nas sociedades. São objetos de estudo da antropologia os tipos de organização  familiar, as religiões, a magia, os ritos, casamento etc..

Política – estuda a distribuição de pode na sociedade, bem como a formação e o desenvolvimento das diversas formas de governo.

Não existe uma divisão nítida entre essas disciplinas. Embora cada uma das ciências sociais se ocupem preferencialmente de um aspecto da realidade social. Elas são complementares entre si e atuam juntas para a explicação de fenômenos complexos da vida em sociedade.



Livro: Introdução a Sociologia  de Pérsio Santos de Oliveira. Editora àtica.