O FATO SOCIAL
É Fato social “toda maneira de agir, de pensar e de sentir que são exteriores ao
indivíduo, dotadas de um poder de coerção”.
Os
fatos sociais são maneiras coletivas de agir ou de pensar que podem ser
reconhecidas pelo fato de exercerem influência sobre as consciências dos
indivíduos. Ou seja, os fatos sociais, têm influência própria e são capazes de
obrigar (influência coletiva) as pessoas a se comportar desta ou daquela
maneira.
Nem sempre essa coerção pode ser percebida como
tal. Em muitos casos, simplesmente nos comportamos como achamos que devemos nos
comportar. Entretanto, por detrás dessa aparente liberdade, existem hábitos,
costumes coletivos, ou mesmo regras, que nós aceitamos como válidas e nos
induzem a assumir certas atitudes.
Um exemplo
simples é se um aluno chegasse vestido à escola com roupa de praia, certamente
ficaria numa situação desconfortável: os colegas ririam dele, levaria uma
bronca do diretor e seria mandando de volta para casa para colocar uma roupa
adequada. Existe o modo de vestir que é comum, que todos seguem (neste caso, os
alunos da escola). Isso não é estabelecido pelo indivíduo. Quando ele entrou no
grupo já existia tal norma. Desta forma se entende que o modo de vestir é um fato social, assim como a língua, o
sistema monetário, a religião, as leis e uma infinidade de outros fenômenos do
mesmo tipo.
As
características de um fato social são: generalidade: o fato social é comum
a todos os membros de um grupo ou à sua grande maioria. Exterioridade: o fato
social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade. Coercitividade:
os indivíduos se sentem pressionados a seguir o comportamento
estabelecido.
Desta forma, a
sociologia é o estudo dos fatos sociais.
FATOS
SOCIAIS NORMAIS E PATOLÓGICO
Para Durkheim
existem fatos sociais normais e patológicos. Durkheim (1983) considera que os
fenômenos sociológicos (e também biológico) podem ser classificados em dois
tipos básicos: aqueles que são comuns a toda espécie e “[…] encontram-se senão
em todos os indivíduos, pelo menos na maior parte deles e apresentam variações
de um sujeito para outro compreendidas entre limites muito próximos” (p. 114) e
os fenômenos excepcionais, que, “[…] além de surgirem em minorias, muitas vezes
chegam a durar a vida inteira dos indivíduos ” (p.114).
Durkheim (1983,
p. 118) afirma que a classificação do fenômeno em normal ou patológico está
relacionada à sua frequência na sociedade. Lembrando que a respeito do fato, não
há um regra universal para distinguir que é normal e o que é patológico, o que
deve ser pensado em relação ao tipo de sociedade em que o fenômeno ocorre,
assim como a fase do desenvolvimento histórico desta. Assim, o que é patológico
em uma sociedade pode não ser em outra; o que foi anteriormente normal em uma
sociedade pode se tornar hoje ou amanhã patológico.
Os comportamentos padronizados humanos podem estar de acordo com aquilo
que o conjunto das pessoas considera “adequado”, dentro da normal, correto,
desejável, ou pode ser fora das normas, indesejável. Matar uma pessoa é algo
proibido, uma norma da sociedade. A maioria das pessoas não matam umas às
outras, cumprem assim a regra de não matar, elas se enquadram dentro do que
podemos chamar de fato social normal. Mas existem muitos assassinos em nossa sociedade,
diariamente pessoas são mortas por motivos muito semelhantes, como tráfico de
drogas, violência doméstica, assaltos. Neste caso, infelizmente os assassinatos
se transformaram em um fato recorrente, padronizado, são também, fatos sociais,
mas esses são patológicos, ou seja fogem a norma. Se uma pessoa descumpre um
padrão, mas esse acontecimento é casual ou excepcional isso ainda não se
constitui como um fato social patológico, só o será se o descumprimento do
padrão for coletivo, repetido por muitos e assim se tornar um padrão
recorrente. Neste caso, o descumprimento se transforma em um fato social
patológico. Mas e se de tanto descumprirmos os padrões, os próprios padrões
passarem a desaparecer e já não soubermos o que é certo ou errado? Neste caso estaríamos
diante do que Durkheim chamava de Anomia.
Ou seja, a anomia não é o comportamento que desvia individualmente da norma,
nem a existência dos padrões concorrentes, mas sim a ausência de referências,
de padrões sociais. Neste ponto, se pode perceber o papel do da coerção social
para a saúde da sociedade. Segundo Durkheim, a punição (coerção) diante do
descumprimento de uma norma serve para a manutenção, para a preservação dos
padrões e assim impedem o desenvolvimento de um quadro social anômico. A punição
de um crime, por exemplo, não é um ato de punição individual, mas é a necessária
luta para a manutenção das normas sociais.
assista o vídeo abaixo para melhor entender.